Embrapa Solos celebra o Dia Nacional do Plantio Direto
28-10-2026
Por Carlos Dias, Embrapa Solos
A Embrapa Solos realizou no dia 21 uma reunião técnica para marcar o Dia Nacional do Plantio Direto. Segundo Pedro Freitas, pesquisador da Unidade e membro da Federação Brasileira do Sistema Plantio Direto (FEBRAPD), a data foi instituída pela Lei nº 14.609/23 e celebrada em 23 de outubro. O evento também fez parte da programação da FEBRAPDP de iniciativas por todo o Brasil realizadas para celebrar essa data.
O evento contou com a palestra de Juca Sá, membro da Comissão Técnico-científica da Federação Brasileira do Sistema Plantio Direto (FEBRAPDP) e pesquisador visitante no Rattan Lal Carbon Center, intitulada "O Sistema Plantio Direto recupera o C do solo em biomas brasileiros". Por sinal, Juca esteve presente no primeiro experimento com plantio direto no Brasil, em Ponta Grossa (PR), em 1972, como estagiário.
As análises apresentadas tiveram como base os resultados do projeto SPD Agro+, iniciativa aprovada em agosto de 2020 no âmbito de edital do Fundo Clima. No arranjo institucional do projeto, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) atuou como órgão proponente, enquanto a equipe da Embrapa e instituições parceiras assumiram a elaboração científica e a execução das etapas de campo e laboratório ao longo dos últimos cinco anos.
A pesquisa abrangeu a avaliação do estoque de carbono em 63 propriedades rurais distribuídas pelo Cerrado, Mata Atlântica e transição para o bioma Amazônico. A metodologia comparou três condições de uso do solo em microrregiões equivalentes: vegetação nativa, área com preparo convencional e área sob Sistema Plantio Direto. A amostragem envolveu a coleta de 3.402 amostras deformadas e 3.402 não deformadas em seis camadas de profundidade até 100 centímetros. Os dados constataram que a conversão do solo com revolvimento convencional provoca perdas acumuladas de carbono entre 38,1% e 45,8% em relação à vegetação original. Em contrapartida, a adoção do plantio direto viabilizou a recuperação do carbono ao longo de todo o perfil do solo avaliado, alcançando ou superando o estoque da mata nativa em sete dos 13 agrupamentos hidroclimáticos analisados.
O palestrante destacou que o Brasil possui 45,8 milhões de hectares sob plantio direto, contudo apenas 6,4 milhões de hectares — equivalente a 14% do total — cumprem rigorosamente os três pilares do sistema, que englobam a ausência de revolvimento, a cobertura permanente da superfície e a diversificação de culturas. Durante a explicação sobre o aporte de biomassa no solo, Sá ressaltou: "o que governa o sequestro são três componentes: quantidade, qualidade e frequência". Os modelos estatísticos aplicados às áreas amostradas indicaram uma taxa média de sequestro de carbono de 1,74 tonelada por hectare ao ano sob manejo contínuo. O acúmulo decorre do uso de sistemas radiculares profundos e cultivos intercalares, como milho ou sorgo consorciados com braquiária, que mantêm o solo coberto durante os 365 dias do ano.
Além da retenção de carbono, a estruturação física do solo no plantio direto eleva a capacidade de armazenamento de água em até 200 milímetros adicionais frente ao solo degradado. Sob a perspectiva da eficiência produtiva e conservação ambiental, o palestrante afirmou: "Um hectare de sistema plantio direto preserva de 0,88 a 1,01 hectare de mata nativa em pé". A projeção do estudo indica que a expansão das práticas consolidadas do sistema para áreas de cultivo anual no país apresenta um potencial de mitigação de 300,7 teragramas de dióxido de carbono equivalente. Este volume compensaria 13,8% das emissões totais brasileiras de 2024 e supriria quase 48,4% da pegada de carbono do setor agrícola no mesmo ano. Essa colheita de carbono valeria cerca de 3 a 9 bilhões de dólares para os produtores, mostrou o palestrante. Houve interação da equipe técnica presente, com trocas de oportunidades de interação com as iniciativas já realizadas e em andamento. A Embrapa Solos tem 462 publicações relacionadas ao sistema de manejo Plantio Direto.
No encerramento da reunião técnica, o dirigente da Associação dos Engenheiros-Agrônomos do Estado do Rio de Janeiro (AEARJ), Leonel Machado Lima, fez uma apresentação geral sobre as ações desenvolvidas pelo Programa por uma Agricultura Regenerativa. O engenheiro-agrônomo abordou a realização de turnês científicas e simpósios promovidos pela associação em parceria com a Embrapa Solos, a Embrapa Agrobiologia, a Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado do Rio de Janeiro (Pesagro-Rio) e instituições de ensino do estado, como a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), a Universidade Federal Fluminense (UFF), a Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) e o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia - IF Pinheiral. O representante destacou a importância de integrar estudantes, professores, pesquisadores e extensionistas para a capacitação profissional, a elaboração de projetos voltados à captação de recursos e o fortalecimento da agricultura fluminense para uma agricultura sustentável.