ILP impulsiona reconversão de áreas com pastagens degradadas em Minas
17-03-2026
Por Sandra Brito, Embrapa Milho e Sorgo
A reconversão de áreas com pastagens degradadas por meio da Integração Lavoura-Pecuária (ILP) foi um dos assuntos abordados no IV Dia de Campo realizado na Fazenda Lagoa dos Currais, no início do mês, em Cordisburgo. O pesquisador Miguel Gontijo, da Embrapa Milho e Sorgo, apresentou o histórico e resultados de um sistema ILP implantado em uma área de 30 hectares (três piquetes de 10 hectares cada) na fazenda Lagoa dos Currais, a partir da safra 2022/2023.
Nas áreas com pastagens, na safra 2022/2023, foi realizado o cultivo de soja em um dos piquetes. Na safra seguinte (2023/2024), a soja foi implantada no segundo piquete e, no primeiro piquete, foi implantado o consórcio de sorgo forrageiro mais capim Tamani. Na terceira safra (2024/2025), a soja foi implantada no terceiro piquete, o sorgo forrageiro mais Tamani no segundo piquete e, no primeiro piquete, a pastagem de capim Tamani formada no ano anterior foi pastejada por animais em recria.
“Assim, a soja foi utilizada como a “cultura de entrada” em área de solo com baixa fertilidade química e onde foram necessários grandes aportes de corretivos e fertilizantes para o cultivo de grãos. Cabe destacar que nas duas primeiras safras as receitas oriundas da comercialização da soja foram suficientes para cobrir todos os custos com insumos e serviços empregados na correção do solo e cultivo da soja”, disse Gontijo.
“Já no ano passado, safra 2024/2025, quem esteve aqui no III Dia de Campo percebeu as consequências do veranico de fevereiro de 2025. A produtividade da soja foi de apenas 36 sacas por hectare. Então, naquele ano, não se pagaram os custos de correção e melhoria. Porém, nos outros dois piquetes, foram produzidas 62 toneladas de silagem de sorgo, mesmo com o veranico de fevereiro, enquanto no piquete que era pastagem foram produzidas 22 arrobas por hectare por ano. Daí, destacamos a importância da diversificação de atividades proporcionadas pela ILP para essa região. Se o produtor tivesse os 30 hectares de soja, provavelmente sairia da atividade. Como o sistema está integrado, as 22 arrobas por hectare e a silagem produzida equilibraram o caixa. Então, como resultado, após os 3 primeiros anos, as pastagens foram recuperadas e o cultivo da soja foi validado para a região”, ressaltou Gontijo.
Atualmente, na safra 2025/2026, não havendo mais áreas de pastagens degradadas, o sistema foi realinhado para a intensificação da produção pecuária. Assim, no piquete em que foi cultivada a soja na safra anterior, foi semeado o sorgo forrageiro consorciado com o capim Zuri, e os outros dois piquetes permaneceram com pastagens de capim Tamani.
Os resultados preliminares da safra 2025/2026 consistiram de 70,2 toneladas por hectare de silagem de sorgo LAS 6002F + Zuri e uma produtividade animal média de 20 arrobas por hectare por ano, indicando uma enorme mudança de patamar de produtividade agropecuária da propriedade. De acordo com Gontijo, “cabe destacar que, a partir desta safra, o cultivo do sorgo consorciado com capim seguirá rotacionando anualmente no piquete com pastagem de segundo ano, equilibrando, na propriedade, a disponibilidade de forragem das pastagens no período das chuvas com a produção de silagem para fornecimento aos animais no período da seca, garantindo altos níveis de desempenho animal durante todo o ano”.
“Então, a grande sacada da ILP é utilizar a lavoura para recuperar a pastagem e fortalecer a pecuária, porque a pecuária intensificada além de aumentos na produtividade, também gera produtos de maior valor agregado. A ILP é uma estratégia que pode ser utilizada em propriedades de qualquer tamanho e capacidade de investimento financeiro, pois pode ser implementada de forma escalonada no tempo. É um planejamento de médio e longo prazo que a cada ciclo de rotação vai melhorando a qualidade do solo, aumentando a produtividade das áreas, a rentabilidade e a resiliência do sistema de produção como um todo”, concluiu Gontijo.
O IV Dia de Campo foi uma realização da Embrapa, da Baldan e da Fazenda Lagoa dos Currais, com o apoio da Associação Mineira dos Criadores de Zebu (AMCZ), da empresa Multitécnica, da Cooperativa Central dos Produtores de Leite (CCPR), da Emater Minas Gerais, do Sistema Faemg/Senar/Inaes, do Sindicato dos Produtores Rurais de Curvelo, da Confraria Centro Mineira e da Fundação Agrisus.
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