Projeto na área de Itaipu estabelece protocolo de manejo conservacionista em área de grãos

IDR Paraná

Projeto na área de Itaipu estabelece protocolo de manejo conservacionista em área de grãos
Foto: Divulgação IDR-Paraná

Entre 2021 e 2024, extensionistas do IDR-Paraná avaliaram 89 áreas em propriedades rurais das bacias dos rios Ivaí, Piquiri e Paraná III. O objetivo foi avaliar as condições de fertilidade e identificar as práticas que tiveram influência direta na qualidade do solo. A iniciativa fez parte do projeto de Manejo Conservacionista em Áreas de Grãos que integram o Programa AISA (Ação Integrada de Solo e Água), uma iniciativa da Itaipu Binacional em parceria com a Embrapa, IDR-Paraná, FAPED e USP/Esalq. A partir desse levantamento, foi estabelecido um protocolo técnico para orientar o trabalho da Extensão Rural, tendo em vista a preservação dos recursos naturais, bem como a manutenção da qualidade da água do lago de Itaipu.

A preocupação com o solo tem uma justificativa concreta. Apesar de o Paraná ter 81% de sua área de grãos sob Plantio Direto (PD), a não adoção de rotação de culturas, a compactação do solo e a não utilização de terraços vêm reduzindo a infiltração de água no solo e aumentando a ocorrência da erosão. De acordo com Edivan José Possamai, coordenador estadual do programa Grãos Sustentáveis do IDR-Paraná, somente o Plantio Direto não sustenta mais a eficiência produtiva das lavouras. “É preciso integrar rotação de culturas, produção de palhada e terraceamento, bem como o uso correto de dejetos animais como fertilizante, cuja aplicação sem diagnóstico tem provocado excesso de nutrientes e risco de contaminação hídrica”, afirma Possamai.

O levantamento de informações, a partir do projeto, foi importante para que os extensionistas entendessem como as práticas adotadas pelos produtores têm impactado na qualidade do solo e da água e pudessem estabelecer ações de melhoria. Durante a ação, foram levantados alguns indicadores de fertilidade do solo e de  manejo. Entre as propriedades avaliadas houve uma predominância do binômio soja/ milho safrinha, além de alguns talhões com plantio diversificado e de plantas que produzem palha, a exemplo do soja/milho/braquiária e soja/aveia/trigo/milho.

Uso de dejetos

Os extensionistas perceberam que o uso de dejetos animais como fertilizante, combinado com adubos químicos, é comum na região e impacta diretamente as condições do solo. “Observamos que os índices de fertilidade como o teor de potássio, fósforo e cálcio era alto, mas os agricultores continuavam usando os dejetos sem critério técnico ou qualquer tipo de controle. É preciso melhorar os critérios técnicos de uso desse insumo, em função do impacto ambiental dessa prática” destacou Possamai. Ele lembrou ainda que o uso dos dejetos nas áreas de lavoura pode ser uma forma de melhorar a fertilidade, com a redução de custos de produção.

Palhada

Outro aspecto importante foi a existência, ou não, de palhada nos talhões  analisados. “A maioria das áreas apresentou baixa produção de palhada, o que revela um Sistema de Plantio Direto insuficiente e que pode gerar a compactação e erosão do solo”, ressaltou Possamai.  Segundo ele, as propriedades só não foram mais prejudicadas porque adotaram o sistema de terraceamento que mantém a água das chuvas nas áreas com lavoura e contribui para diminuir a erosão. Possamai acrescentou que a estrutura do solo, na maioria das áreas, apresentou baixa qualidade estrutural. Para ele, esse problema pode ser mitigado com a adoção de boas práticas como a rotação de culturas, o terraceamento, a adubação adequada e a produção de um bom volume de palhada. “Em áreas que adotaram essas técnicas, houve um incremento de 12% na produtividade da soja. Nos períodos de estiagem, como na safra 2021/2022, os sistemas com boas práticas se mostraram mais resilientes e mais produtivos”, informou Possamai.

Protocolo técnico

A partir desse levantamento, os extensionistas do IDR-Paraná elaboraram um protocolo técnico voltado ao manejo da fertilidade química do solo e uso de espécies para a produção de palhada, fortalecendo o Sistema de Plantio Direto. “Essas informações também vão servir de base para o Programa de Recursos Naturais e Sustentabilidade do IDR-Paraná, implementado no estado em parceria com a Sanepar e Banco Mundial”, informou Possamai. Ele disse que esses dados confirmam o que já era aventado pelos extensionistas, o forte impacto do uso dos dejetos animais nas áreas de agricultura, o papel da palhada e da rotação de culturas na conservação do solo. “Os resultados reforçam que a saúde do solo é decisiva para a produtividade, conservação e segurança hídrica na região. A sustentabilidade da agricultura paranaense depende diretamente da saúde do solo, elemento que sustenta não apenas as lavouras, mas a qualidade da água que abastece o reservatório de Itaipu, servindo como base da produção de energia para Brasil e Paraguai”, concluiu Possamai.

Hudson Carlos Lissoni, da área de Hidrologia da Itaipu Binacional, ressaltou que o projeto teve uma avaliação muito positiva pelo alcance e abrangência do levantamento. Segundo ele, foi possível perceber como o sistema de produção de grãos está se comportando e contribuindo para a conservação e compactação do solo na área do reservatório de Itaipu. Para Lissoni, essas informações dão um direcionamento para que as políticas públicas sejam aprimoradas, com o objetivo de preservar os recursos naturais.

 “O que precisamos é produzir água na bacia hidrográfica e isso depende de ajustar o ciclo hidrológico, aumentar a infiltração da água no solo para melhorar a recarga do lençol freático na região. Se aumentamos o tempo de permanência da água no solo, ela vai chegar ao reservatório sem sedimentos, o contrário da água superficial. Melhorar as condições de infiltração da água no solo é uma questão estratégica, tanto para os produtores quanto para Itaipu. Queremos regularizar a produção de água ao longo do ano todo e aumentar a vida útil do reservatório de Itaipu” afirmou o engenheiro.