Manejo do solo garante produtividade e resiliência no campo
Por Adriane Bertoglio Rodrigues e Fernanda Furtado Garcia (estagiária), Assessoria de Imprensa da Emater/RS-Ascar - Regional Bagé
Ligado diretamente ao sucesso das lavouras, à rentabilidade do produtor e à sustentabilidade ambiental, o manejo correto do solo torna-se um dos pilares principais da produção agropecuária. O cultivo agrícola depende de solos bem estruturados e em condições adequadas para que as plantas expressem seu máximo em potencial produtivo.
O plantio direto na palha, o plantio em nível, a construção de terraços, a rotação de culturas, a descompactação, seja mecânica ou biológica, e o uso de plantas de cobertura são as principais práticas recomendadas a conservação do solo. Essas técnicas reduzem a erosão, aumentam a infiltração e o armazenamento de água, elevam os teores de matéria orgânica e melhoram a atividade biológica do mesmo.
Quando o manejo é incorreto, os prejuízos aparecem rapidamente, com aumento de custos e maior vulnerabilidade a problemas climáticos. Com o passar do tempo, a degradação pode se tornar tão severa que áreas antes produtivas deixam de produzir.
Leandro Filipin Vezzosi, extensionista rural da Emater/RS-Ascar no município de Manoel Viana, relata o trabalho desenvolvido por meio de visitas técnicas às propriedades. "Após a análise de solo, são identificados os manejos mais adequados, como descompactação, marcação de terraços, semeadura em nível, rotação de culturas e implantação de plantas de cobertura. Também são orientadas as correções de fertilidade, com indicação de adubação e aplicação de calcário, sempre organizadas em um cronograma compatível com a capacidade operacional e financeira de cada produtor", explica.
A cobertura vegetal, por exemplo, desempenha papel fundamental na proteção contra o impacto das chuvas, na redução da temperatura do solo e no controle de plantas invasoras. Já a rotação de culturas diversifica os sistemas radiculares, contribui para a descompactação natural e reduz a incidência de pragas e doenças.
A matéria orgânica também é destaque, visto que, além de melhorar a fertilidade, favorece a retenção de água e a disponibilidade de nutrientes, armazena carbono e estimula a presença de microrganismos benéficos. Em contrapartida, a compactação do solo limita o crescimento das raízes, reduz a infiltração de água e compromete a absorção de nutrientes, mesmo quando a adubação é feita de forma correta.
As mudanças climáticas têm intensificado eventos extremos, tornando fundamental o manejo conservacionista. Solos protegidos e bem estruturados sofrem menos erosão e garantem maior estabilidade produtiva frente às adversidades.
Atualmente, tecnologias como mapeamento por satélite, análises de fertilidade e levantamentos topográficos auxiliam na tomada de decisão, permitindo elaborar estratégias de ação e, consequentemente, intervenções mais precisas e eficientes. Vezzosi destaca que "o manejo correto reduz custos de produção, favorece o aproveitamento dos nutrientes e minimiza perdas por erosão".
O resultado é a construção de propriedades mais produtivas, sustentáveis e preparadas para o futuro. O manejo sustentável do solo não é apenas uma técnica agrícola, mas um investimento na longevidade das áreas produtivas, na segurança alimentar e na preservação ambiental.









